A puberdade e a adolescência

A Puberdade refere-se ao aspecto biológico do desenvolvimento humana. O próprio significado da palavra púbis, que quer dizer pêlo, comprova isso mesmo; é um período em que ocorre o crescimento de pêlos e penugem em diversas zonas do corpo.

Tem início, na puberdade, o amadurecimento do sistema reprodutor, o que quer dizer que o jovem terá capacidade para ter filhos quando este amadurecimento estiver completo.

A idade na qual tem início a puberdade varia de uns jovens para outros. Sabe-se, por exemplo, que nos países mais quentes, a idade desse início é mais cedo. Nos rapazes a puberdade tem início entre os 11 e os 15 anos (abrangendo um período de 3 anos) e nas raparigas entre os 10 e os 11 anos de idade (com uma duração de 2 anos).

Nesta fase produzem-se hormonas sexuais e desenvolvem-se os óvulos e os espermatozóides que capacitam os adolescentes para a reprodução.

A Pré-adolescência é o período durante ao qual a criança começa a adandonar os comportamentos infantis e a adoptar atitudes novas, de afirmação da personalidade. Corresponde aos 11/12 anos de idade, depois de iniciada a puberdade.

A Adolescência, é o período decorrente entre o fim da infância e a idade adulta. A palavra adolescere significa crescer. Inclui a puberdade pois abrange as primeiras transformações físicas e prossegue com as transformações dos aspectos psicológicos, afectivos e sociais.

É um período de mudanças muito rápidas.

Desenvolvimento Psicológico

 

Maturação ou amadurecimento é o processo de desenvolvimento dos seres vivos ou suas partes no sentido de tornar o organismo apto para a reprodução

A busca por uma identidade única é um dos problemas que adolescentes frequentemente encaram, desafiando autoridades e regras como um caminho para se estabelecerem como indivíduos. Nesse estágio, desportistas e artistas (entre outros) servem como modelos de comportamento e, por esta razão, suas atitudes são bastante criticadas pela sociedade, como numa forma de controle de seus efeitos. Isto não significa, entretanto, que a criação adequada, por pais ou outros tutores, e uma vida inspirada sejam contradições, mas discute-se o quando uma deve ceder lugar à outra.

A dualidade entre o amadurecimento do corpo e amadurecimento psicológico, frequentemente causa certa susceptibilidade à instabilidade emocional que pode levar ao consumo de drogas ou álcool, problemas mentais como esquizofrenia ou distúrbios alimentares (como anorexia e bulimia), e a problemas sociais como a gravidez adolescente. Além disso, cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles e do Instituto Nacional de Saúde Mental, ambos nos EUA, descobriram, usando técnicas de ressonância magnética, que cérebros adolescentes mudam drasticamente, inclusive com redução de massa cinzenta e aumento do volume de massa branca, o que poderia explicar boa parte dos desvios mencionados. Cabe salientar, entretanto, que estes problemas não são exclusivos de adolescentes, e que nem todas as pessoas nessa fase estão sujeitas a eles.

A Psicologia Positiva é frequentemente trazida a termo quando discutimos a psicologia adolescente. Foi observado um grupo surpreendentemente grande de adolescentes entediados, desmotivados e pessimistas quanto a seus futuros. A aproximação pela Psicologia Positiva tenta acender suas chamas interiores, auxiliando-os a desenvolver destrezas complexas dando carga às suas vidas, tornando-se socialmente competentes, compassivos e adultos psicologicamente vigorosos.

adolescência começa com as transformações pubertárias e termina com a construção de uma autonomia e aquisição de identidade, capacidade de suportar tensões e contrariedades, de elaborar projectos de vida e de inserção social.
Ao terminar a adolescência, o jovem tem o sentimento de individualidade e compreende o seu papel activo na orientação da sua vida, tomando decisões e aceitando compromissos.
Ele cumpriu determinadas tarefas como afirmação da identidade pessoal, sexual e psicossocial, bem como a interiorização de normas sociais e a aquisição de uma autonomia. A aquisição legal de autonomia (maioridade) contribui para datar o fim desta etapa da vida. “Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida” (Sérgio Godinho).

“A adolescência termina quando o indivíduo atinge a maturidade social e emocional e adquire a experiência, a habilidade e a vontade requeridas para assumir, de maneira consistente, o papel de um adulto, que é definido pela cultura em que vive.”
Apesar de todos os problemas inerentes ao conceito de adolescência e das variações individuais, podemos dizer, de forma genérica, que esta etapa existencial, na nossa cultura actual, abrange um período entre os 12-13 anos e os 18 anos.

Aspectos fisiológicos

Numa fase de pré-puberdade, que dura mais ou menos dois anos, ocorrem mudanças corporais (caracteres sexuais secundários)1 que preparam as transformações fisiológicas da puberdade, isto é, a possibilidade de ejaculação e a menstruação.
Os órgãos sexuais entram em funcionamento e são estas modificações que vão marcar a sexualidade adolescente por uma genitalidade e possibilitam a capacidade da função reprodutora.
São muitas as transformações que ocorrem durante a puberdade. Nos rapazes aparecem pêlos nas pernas, no peito, nos braços, nas axilas e na região púbica. A voz muda e aparece a barba. O pénis cresce e a sua pele fica mais escura; os testículos aumentam.
Nas raparigas as ancas alargam e os seios aumentam; aparecem pêlos nas axilas e na zona púbica. Os órgãos genitais crescem e a sua pele escurece.
Nos rapazes e nas raparigas aumenta a transpiração e o odor corporal modifica-se. Aumenta a altura e o peso; o cabelo e a pele tornam-se mais gordurosos podendo aparecer temporariamente seborreia e acne.
Outras maturações físicas acontecem durante a adolescência, como a ossificação da mão que se completa, um aumento do tamanho do coração e dos pulmões.
Existe, entre as raparigas e os rapazes, cerca de um ano e meio de diferença na idade média de chegada à puberdade (12/13 anos e 13/15 anos)1. Esta diferença está relacionada com a estatura, que é, estatisticamente, mais elevada nos rapazes. Regra geral, só se cresce significativamente cerca de cinco anos após a puberdade. Assim, se o processo pubertário é mais precoce nas raparigas, elas deixam de crescer mais cedo.
As transformações que ocorrem na puberdade são da responsabilidade do sistema endócrino. São as hormonas segregadas pelas glândulas sexuais (estrogénios e progesterona nas mulheres e testosterona nos homens) que vão causar as transformações corporais que acabámos de descrever.

Aspectos afectivos

As transformações corporais levam o jovem a voltar-se para si próprio, procurando perceber o que se está a passar, para se entender mais profundamente enquanto pessoa.
Escrever um diário, isolar-se, ter devaneios, solilóquios, pintar ou tocar música correspondem a necessidades interiores e podem contribuir para melhor se conhecerem e desenvolverem emocionalmente. Alguns adolescentes fecham-se muito sobre si próprios, comunicando pouco com os adultos.
O melhor amigo, do mesmo sexo, tem, para muitos adolescentes, uma função muito importante, pois pode encontrar algumas respostas para várias inquietações: Serei normal?; Como vai ser o futuro?; Sou o único a sentir as coisas desta maneira?…
Os adolescentes vivem, em geral, com grande ansiedade as transformações do seu corpo. É muito comum não apreciarem, temporariamente, algumas das suas características físicas: o cabelo, o nariz, a pele, os pés, o peso, a altura… Estes sentimentos são tanto mais inesperados quanto as crianças se sentiam bem no seu corpo antes das transformações pubertárias. O adolescente tem de assumir uma imagem corporalu sexualizada, o que nem sempre é fácil.
Haverá que distinguir as transformações fisiológicas com a sua aceitação psicológica. A forma como cada um se autopercepciona (o autoconceitou) e o modo como gostamos de nós (a auto-estimau) são muito influenciados pelo meio em que se vive, a maneira como se é representado e aceite pelos outros.
Na sociedade contemporânea a moda exerce, frequentemente, uma certa tirania sobre os jovens, padronizando estilos que não se coadunam a todos os corpos.
Alguns jovens sentem necessidade de se afirmarem como diferentes. Assim, a “crise de originalidade” que alguns atravessam tem expressão na forma de vestir, na linguagem, na actividade artística, nas atitudes e comportamentos.

Podemos dizer que muitos jovens são hipersensíveis, que existe uma fragilidade e agressividade que se manifestam em súbitas mudanças de humor. São, assim, frequentes as crises de choro, os estados de euforia, de melancolia. As grandes e globais transformações causam uma tensão que se traduz em impulsos não controlados.
A incompreensão de que muitas vezes se sentem vítimas é, frequentemente, uma projecçãou da sua própria dificuldade em se compreenderem intimamente.
Na adolescência, os modelos de identificação deixam de ser os pais para passarem a ser os jovens da mesma idade, o grupo de pares, num processo de autonomia, de individuação.
Muitas das duras críticas por vezes tecidas aos pais estão relacionadas com este percurso interno de individuação do adolescente, de que não têm consciência. Em certos casos, o adolescente pode sentir um vazio, sentir-se desprotegido, perturbado, sem compreender os seus afectos.
Aspectos intelectuais
A adolescência é uma fase em que se obtém uma maturidade intelectual. O pensamento formal vai abrir novas perspectivas; exercitá-lo é pôr-se questões, é problematizar jogando com as várias perspectivas dos assuntos, é aprender, é criticar, é interrogar o futuro e a sociedade1.

Dá-se um alargamento das perspectivas temporais. “Vai ser possível pensar o futuro e pensar no futuro”.
O raciocínio hipotético-dedutivo é, no desenvolvimento psicossocial, uma arma poderosa nas opções profissionais, nos caminhos que aspiram, na construção de projectos de futuro.
O exercício destas novas capacidades cognitivas de abstracção, de reflectir antes de agir, pode permitir uma distância relativamente aos conflitos emocionais.
O gosto pela fantasia e pela imaginação, pelo debate de valores, leva a uma melhor compreensão de si próprio e do mundo. Há uma exigência de coerência nas discussões intermináveis, no questionar dos problemas e nos argumentos expressos na defesa de uma filosofia de vida, que são importantes na formação de ideias próprias.
Esta mudança intelectual da adolescência vai, pois, permitir construir o “seu sistema pessoal”, como diz Piaget. Existe como que um reaparecimento do egocentrismo. Mas trata-se agora de um egocentrismo intelectual – sente-se o centro e as suas teorias sobre o mundo aparecem como as únicas correctas.
Como consequência do egocentrismo intelectual o adolescente pode sentir-se alvo dos olhares e atenções dos outros.

Aspectos sociomorais

Durante a adolescência, o jovem vai interessar-se por problemas éticos e ideológicos, debate-os, faz opções e constrói valores sociais próprios. A lealdade, a coerência, a justiça social, a liberdade, a autenticidade são alguns dos valores mais defendidos, o que, frequentemente, faz com grande radicalidade.
Os adolescentes revoltam-se, frequentemente, quando descobrem que a sociedade não se coaduna com as aspirações e valores que defendem. Eles desejam, quase sempre, uma perfeição moral e expressam um grande altruísmo.
As novas capacidades cognitivas de reflexão e abstracção e o poder de jogar mentalmente com várias hipóteses (raciocínio hipotético-dedutivo) permitem-lhes debater ideias, apreendendo a complexidade dos valores sociomorais, bem como construir uma teoria própria sobre a realidade social.
A adolescência está ligada a um novo estatuto e papel na comunidade, daí a sociedade exercer uma nova socialização com novas formas – consciente e inconscientemente exercidas -, como temos vindo a referir.
No entanto, se, no decorrer e no final da adolescência, se obtém uma maturação fisiológica, afectiva e intelectual, em contrapartida não se obtém, regra geral, uma maturação social. São hoje muito referenciados os problemas sobre a aquisição de estatuto de “jovem adulto” e a sua relação com o prolongamento do tempo de escolaridade e a crise de desemprego.
A forma como se vive a adolescência não só está relacionada com a infância como com o meio comunitário envolvente nas suas dimensões geográficas, económicas e socioculturais. A adolescência está também relacionada com a forma como se fez a aprendizagem da vida social e como se participou na vida cívica.
Este facto faz-nos levantar questões sobre o papel jogado pela sociedade actual no processo de adolescência. Uma sociedade concorrencial, violenta, consumista, dificilmente se oferece como meio de vida estruturante, que se abra sobre agradáveis horizontes, facilitando a construção de projectos de futuro.
Concluímos com um texto a que poderíamos atribuir o título: Adolescência tempestuosa: mito ou realidade?
“Precede a puberdade invariavelmente uma adolescência tempestuosa e rebelde? Em determinada altura, considerava-se que muitas crianças, ao entrarem na adolescência, iniciavam um período de grande tensão e infelicidade, mas os psicólogos constatam agora que essa caracterização era, em grande medida, um mito. Muitos jovens, segundo parece, passam pela adolescência sem perturbações apreciáveis nas suas vidas (Peterson, 1988; Steinberg, 1993).
O que não quer dizer que a adolescência seja completamente tranquila (Eccles et al., 1993; Laursen & Collins, 1994). Existe claramente um aumento de discussões e tensões em muitas famílias. Os adolescentes, como parte da sua busca de identidade, tendem a experimentar uma certa tensão entre as suas tentativas de se tornarem independentes dos seus pais e a sua dependência efectiva deles. Poderão adoptar um conjunto de comportamentos que os seus pais, e mesmo a sociedade como um todo, poderão considerar impróprio. Felizmente, contudo, para a maioria das famílias, essas tensões tendem a estabilizar durante a adolescência média – cerca dos 15, 16 anos – e diminuem eventualmente cerca dos 18 anos (Montemayor, 1983; Galambos, 1992).”

FELDMAN, R., Understanding Psychology, McGraw-Hill, 1996, p. 440

Construção da identidade

“Pode alguém ser quem não é?”
SÉRGIO GODINHO
A adolescência é uma fase importante no processo de consolidação da identidade pessoal, da identidade psicossocial e da identidade sexual.
Erik Erikson diz-nos que o sentimento de identidade é o sentimento intrínseco de ser o mesmo ao longo da vida, atravessando mudanças pessoais e ocorrências diversas.
Os adolescentes vão, através de uma crise potenciadora de energias, confrontar-se com esta problemática identitária (5ª idade – Identidade vs Difusão/Confusão). É também com uma certa desorientação entre avanços, hesitações e recuos que se fazem importantes experimentações de afirmação do ego, na construção de identidade.
Para além de uma certa confusão pela qual quase todos passam, existem por vezes situações (que também podem ser temporárias), como difusões/confusões agudas de identidade, adolescências retardadas e prolongadas, inibições, perturbação de valores, assim como podem ocorrer crises neuróticasu e psicóticasu caracterizadas por um isolamento psicossocial profundo e mecanismos defensivos.
Cada um de nós constrói o seu eu através de “outros significativos”, das interacções relacionais, reais e fantasiadas. A identidade constrói-se nas experiências vividas através de um subtil jogo de identificações.
Se na infância os nossos modelos identificatórios são os pais, na adolescência vão ser os jovens da mesma idade. As relações com os pais têm que mudar para que os adolescentes possam ascender a ideias e afectos próprios.
A amizade é muito investida ao nível dos afectos. O melhor amigo do mesmo sexo é normalmente alguém com quem se partilham grandes inquietações.
É como um espelho estruturante onde o adolescente se reconhece reflectido, onde se vê crescer.
O grupo de pares pode ter como função apresentar modelos de identificação positiva para o adolescente. Erikson refere a certeza que o grupo pode trazer às incertezas do adolescente. No entanto, pode apresentar alguns riscos negativos, sobretudo quando a relação com o grupo é de grande dependência.
Numa época da vida em que se buscam outros universos para além dos familiares e em que as figuras parentais são tanto mais importantes quanto têm que ser reelaboradas as relações pais-filhos e com as quais há muitas vezes conflitos, existe a necessidade de outros adultos significativos. A escola, para além de um mundo de jovens, é também um mundo de adultos: os professores, os empregados, as personagens dos livros, os outros pais (de quem os colegas falam…).
Nós olhamo-nos com os olhares que nos olham, com os olhares que trocamos. A construção da identidade passa por um processo de identificação e por um processo de diferenciação.
Neste universo interactivo, numa cultura jovem, constroem-se certos estereótipos grupais e sociais. Os heróis têm, no processo de identificação de alguns adolescentes, um papel relevante, oferecendo imagens poderosas, cultivadas colectivamente.
No final da adolescência o jovem obtém uma “identidade realizada”, ele será capaz, como diz Erikson, de sentir uma “continuidade interna” e “uma continuidade do que ele significa para as outras pessoas”. Ele entende-se no seu percurso de vida.
Moratória psicossocial
Outro dos conceitos eriksonianos importantes é o de moratória psicossocial. Esta moratória é “um compasso de espera nos compromissos adultos”. É um período de pausa necessária a muitos jovens, de procura de alternativas e de experimentação dos papéis, que vai permitir um trabalho de elaboração interna. Antecipa-se o futuro, exploram-se alternativas, experimenta-se, dá-se tempo…
As moratórias são caracterizadas pelas necessidades pessoais, mas também por exigências socioculturais e institucionais. “Cada sociedade e cada cultura institucionalizam uma certa moratória para a maioria dos seus jovens.”
“As instituições sociais amparam o vigor e a distinção da identidade funcional nascente, oferecendo aos que ainda estão aprendendo e experimentando um certo status da aprendizagem uma moratória caracterizada por obrigações definitivas e competições sancionadas, assim como por uma tolerância especial.”

ERIKSON, E. H., op. cit., 1976 (b), p. 157
Também se pode considerar como moratória sexual-afectiva o tempo de namoro, dos flirts, dos pequenos e grandes investimentos amorosos, que permitem vivências e experiências antes de se definirem orientações sexuais e de se poderem fazer escolhas amorosas para uma ligação perspectivada com certa estabilidade e durabilidade.
Muitos adolescentes têm uma evolução “truncada” por terem entrado de forma demasiado rápida na vida adulta, sem se terem permitido um amadurecimento interior.
Erikson, preocupado com as interacções com o meio envolvente, falou na importância de o jovem ser “reconhecido socialmente” no sentido do seu estatuto. Refere ainda muitos comportamentos marginais como tentativas de encontrar uma moratória.
Apresentamos-te um texto que te ajudará a compreender melhor o conceito de moratória psicossocial.

“A moratória é, frequentemente, o resultado de uma decisão difícil e deliberada de dar uma trégua às preocupações habituais, tais como as da escola, da universidade ou do primeiro emprego. O objectivo consiste em fazer uma pausa, no sentido de o indivíduo poder explorar, de um modo mais completo, quer o próprio eu psicológico, quer a realidade objectiva. A diferença aparente entre a moratória e a difusão pode parecer muito subtil; todavia, vistas bem as coisas, essa diferença é bastante grande. Na moratória existe uma verdadeira procura de alternativas, e não apenas uma espera prolongada, até que surja a oportunidade certa. O indivíduo sente uma grande necessidade de se testar a si próprio, numa variedade de experiências, no sentido de obter um conhecimento cada vez mais pormenorizado do seu eu. Os compromissos são, temporariamente, evitados, com base em razões legítimas: ‘Preciso de mais tempo e experiência, antes de me dedicar inteiramente a uma carreira, como, por exemplo, a medicina.’ Ou, ‘ainda não estou preparado para iniciar o doutoramento em História. Existem bastantes coisas desconhecidas que preciso de explorar primeiro.’ Desta forma, a moratória não é simplesmente uma fuga às responsabilidades, que possibilita ao indivíduo andar sem destino. Em vez disso, esta fase constitui um processo de procura activa, que tem como objectivo principal prepará-lo para estabelecer compromissos. A própria vida de Erikson, como documenta a sua biografia, contém uma moratória muito significativa, assim como dedicação ainda maior a uma causa. Erikson talvez afirmasse que uma derivou da outra.”

SPRINTHALL, N. e COLLINS, A., Psicologia do Adolescente, F. C. Gulbenkian, 1994, pp. 213-214

“A adolescência é o período de transição que separa a infância da idade adulta, tendo por centro a puberdade. Em boa verdade, os seus limites são fluidos.
Aquilo a que mais se assemelha é, sem dúvida, o nascimento. No nascimento, separam-nos da nossa mãe cortando-nos o cordão umbilical, mas esquecemo-nos frequentemente de que entre a mãe e o filho havia um órgão de ligação extraordinário: a placenta. A placenta dava-nos tudo aquilo que era necessário à nossa sobrevivência e filtrava muitas substâncias perigosas que circulam no sangue materno. Sem ela, não era possível a vida antes do nascimento, mas à nascença há, em absoluto, que a abandonar para viver.
A adolescência é como um segundo nascimento que se cumprirá progressivamente. Há que abandonar pouco a pouco a protecção familiar como um dia se abandonou a placenta protectora. Abandonar a infância, fazer desaparecer em nós a criança, é uma mutação. Dá por momentos a sensação de se morrer. Tudo é rápido, por vezes, demasiado rápido. A natureza trabalha no seu ritmo próprio. Há que prosseguir e nem sempre se está pronto. Conhece-se aquilo que morre, mas ainda se não vê para onde nos dirigimos. Já nada “encaixa” mas não se sabe bem porquê nem como foi. Nada mais é como antes, mas é indefinível.”

Monteiro, M., Ribeiro dos Santos, M. .Psicologia. Porto Editora, 2001

 

 

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~ por Cátia em Fevereiro 13, 2010.

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