Áreas de investigação da Psicologia

Áreas de investigação e de aplicação da Psicologia

 

 

A Psicologia como ciência pura ou de investigação produz teorias sobre as várias facetas do comportamento humano.

Os investigadores especializam-se no estudo de certas áreas do comportamento e processos mentais. Irá conhecer essas áreas ao longo dos três anos em que estudará esta disciplina, porque elas correspondem aos temas do programa:

A Psicologia pura ou de investigação estuda os fundamentos dos fenómenos psi­cológicos, apesar das diferenças existentes entre os objectos de cada uma das áreas. Como analisa as bases biológicas, sociais e culturais do comportamento, não trata directamente da aplicação das teorias. A investigação em psicologia científica pressupõe a criação de métodos de medição e de controlo, que vão desde a construção de testes e a realização de experiências laboratoriais até aos procedimentos estatísticos computorizados.

Nos EUA, por exemplo, mais de 10% dos psicólogos dedicam-se à investigação pura, realizando trabalhos que podem depois ter ou não aplicação directa na vida prática.

Partiremos da análise dos casos do João e da Isabel, para identificar as principais áreas de investigação existentes em Psicologia. Cada área da Psicologia teórica estuda uma categoria de fenómenos psicológicos, alguns dos quais são, directa ou indirectamente, observáveis nestes jovens e referidos no texto que se segue. 

Os processos cognitivos ou do conhecimento e os processos afectivos ou emocionais estão intima­mente relacionados e constituem uma área de inves­tigação que estuda temas, tais como a percepção, o pensamento, a memória, a inteligência natural e arti­ficial (ligados ao conhecimento) e a motivação, a frustração e as emoções (ligados à afectividade).

A psicologia dos processos cognitivos relaciona-se com várias disciplinas entre elas a Psicolinguística e a Inteligência Artificial, especializadas em temas mais restritos.

A Psicolinguística é uma ciência que aborda os processos psicológicos relacionados com a aquisição e produção da linguagem, com o seu reconhecimento, com a sua compreensão e com a sua memorização.

Combinando a Psicologia com a linguística, considera a linguagem como instrumento de comunicação.

A Psicolinguística investiga os mecanismos neuropsicológicos subjacentes aos pro­cessos de comunicação e às estruturas linguísticas e gramaticais da linguagem.

A Inteligência Artificial [IA] é uma disciplina científica que apoia a Psicologia cognitiva e constitui hoje um domínio do conhecimento cada vez mais “na moda”. Procura investigar os processos que permitem reproduzir, através de tecnolo­gias, o processamento da informação. É, por um lado, uma ciência que procura estudar e compreender o fenómeno da inteligência com o objectivo de construir teorias e modelos do pensamento humano sob a forma de programas de com­putador. É, por outro lado, um ramo da engenharia que, baseando-se nesses modelos, procura construir instrumentos para apoiar a inteli­gência humana. Assim, por exemplo, uma actividade perceptiva como a visão pode ser substituída por uma célula fotoeléctrica; algumas actividades cognitivas são assumidas por computadores e muitas das actividades manipulativas são rea­lizadas por mecanismos robóticos.

A Psicologia dos processos emocionais aborda os fenómenos relacionados com a energia psicológica envolvida nos comportamentos. Inclui a Psicologia da Motiva­ção, dimensão da investigação psicológica que estuda o processo energético que desencadeia, orienta e mantém cada comportamento. Todos os comportamentos pressupõem motivações conscientes ou inconscientes.

Existem diferentes níveis de motivação correspondentes aos impulsos orgânicos inatos (fome, sede, necessidade de oxigénio, etc.) e às tendências aprendidas (hábitos, padrões de cultura, etc.).

Quando as motivações enfrentam obstáculos à sua realização, surgem as frustrações e os conflitos.

 PSICOBIOLOGIA

Esta grande área da Psicologia teórica estuda as funções e actividades mentais e comportamentais, nas suas relações com os processos biológicos. De facto, todos os processos cognitivos, como a memória ou a inteligência, os movimentos e actividades que realizamos para falar, ler ou escrever envolvem órgãos com uma dada forma, especialmente um cérebro com certas características de funcionamento, além dos músculos e meios de transmissão nervosa. Também os proces­sos emocionais implicam a activação de diferentes processos orgânicos.

Assim, a Psicobiologia relaciona-se com a genética, que estuda os fundamentos da formação e transmissão de características no indivíduo (comportamento e per­sonalidade) e na espécie. Relaciona-se com a (do grego morfos), que estuda a influência da forma do corpo no comportamento dos indivíduos; com a fisiologia que estuda o funcionamento dos órgãos do corpo e com a neuropsicologia, entre outras.

A neuropsicologia analisa os mecanismos biológicos do sistema nervoso que estão subjacentes a todos os nossos comportamentos e processos mentais. Recentemente, o desenvolvimento tecnológico dos meios de observação do sistema nervoso como, por exemplo, a tomografia axial computorizada (TAC), a ressonância magnética (RM) ou o electroencefalograma (ECG), provocaram um grande desenvolvi­mento na neuropsicologia. Actualmente, mesmo as minúsculas células nervosas – os neurónios – são observáveis através de microscópios electrónicos.

 Psicologia Social

A Psicologia social estuda as Interacções sociais entre os indivíduos, entre os indivíduos e os grupos e as dos grupos entre si. Procura analisar a influência social no comportamento e na construção da personalidade: a formação de atitu­des, preconceitos, estereótipos, padrões culturais, etc. Além disso, investiga os fenómenos ligados à dinâmica dos grupos restritos, como, por exemplo, os fenómenos de liderança, conformismo e obediência.

Na realidade somos, por natureza, seres sociais: nascemos incompletos e é na sociedade que construímos a nossa humanidade (aprendendo a falar, a pensar, a agir e a ser).

Psicologia do desenvolvimento

Esta importante área da Psicologia de investigação descreve e explica as transfor­mações quantitativas e qualitativas que vão ocorrendo nos indivíduos. As trans­formações quantitativas dizem respeito, fundamentalmente, ao crescimento físico. As qualitativas referem-se, sobretudo, aos aspectos afectivos e intelectuais da personalidade.

A Psicologia do desenvolvimento, como objecto de investigação científica, está associada ao período pós-darwinista, dado que, nos finais do século XIX, Darwin aprofundou a ideia de evolu­ção. Além disso, nos últimos 100 anos, multiplica­ram-se as concepções sobre a criança, o que levou a considerar o século XX como o «século da criança».

Nas últimas décadas, o conceito de desenvolvi­mento não abrange apenas o desenvolvimento infantil, terminando com o final do crescimento biológico ou «maturidade», mas aplica-se a todo o ciclo vital. O desenvolvimento dos indivíduos é, assim, uma mistura de maturação ou desenvol­vimento gradual e de mutação ou transformação brusca. O desenvolvimento é, portanto, um misto de evolução e revolução, de continuidade e de ruptura.

Uma característica geral do desenvolvimento é que ele é progressivo. Por exem­plo, o desenvolvimento das competências manuais obedece a uma sequência em que aumenta a precisão dos movimentos.

O desenvolvimento surge, assim, segundo os diferentes autores, associado à pre­dominância da maturação genética, à predominância de factores ambientais ou, mais frequentemente, como resultado da interacção entre os dois tipos de factores.

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16 semanas

20 semanas

24 semanas

28 semanas

 36 semanas

Psicopatologia

Esta área de investigação da Psicologia é transversal, abarcando todas as temáticas de investigação psicológica, todos os tipos de comportamentos e de processos mentais, desde que estejam ligados a distúrbios comportamentais e/ou a doenças mentais. Os dois ramos principais das doenças mentais são as neuroses (Alteração global e grave da personalidade, geralmente de origem orgânica.) e as psicoses. (perturbação grave do psiquismo que provoca desordens do comportamento sem perada da referência à realidade).

No que diz respeito ao ser humano normal, a Psicopatologia fornece contributos para o conhecimento dos mecanismos mentais. Por exemplo, o exagero de um traço de personalidade – agressividade, hiperactividade, apatia – permite conhecer “melhor essa característica num indivíduo normal.

Estas áreas de investigação que referimos não formam compartimentos estanques, incomunicáveis entre si. Ao contrário, elas estabelecem constante diálogo, pois só assim é possível compreender e explicar o comportamento humano que, como já referimos, se caracteriza pela complexidade Na verdade, se o ser humano é simultaneamente biológico, social e cultural, todo o seu pen­sar, sentir e agir (isto é, todo o seu comportamento) traduzem essas três dimen­sões de forma integrada.

Da mesma forma, também entre a Psicologia de investigação e a Psicologia aplicada existe uma interdependência. Na verdade, como poderíamos aplicar conhecimentos – ajudando a melhorar a qualidade de vida das pessoas e tratando psicoses e neuro­ses – se não houvesse investigação? E, por outro lado, a aplicação dos conhecimento na vida prática permite enriquecer as teorias, fornecer casos concretos que sustentam o conhecimento teórico ou até detectar lacunas que permitem melhorá-lo.

Quais as áreas da psicologia aplicada?

 

A psicologia como ciência prática ou aplicada refere-se a áreas de intervenção da Psicologia que são utilizadas nas mais variadas situações da sociedade contemporânea. Assim, pode-se encontrar um psicólogo na escola, no hospital, no tri­bunal, na fábrica, na universidade, no clube desportivo, num centro de design de objectos e brinquedos, num departamento de uma câmara municipal, no staff de um grupo político, num departamento de um meio de comunicação social, num consultório, etc.

Iremos analisar sucintamente algumas destas áreas de aplicação e intervenção da Psicologia:

Psicologia educacional e da orientação escolar e profissional; Psicologia do trabalho e das organizações;

Psicologia desportiva;

Psicologia clínica;

Psicologia forense.

 

 

 PSICOLOGIA EDUCACIONAL E DA ORIENTAÇÃO ESCOLAR E PROFISSIONAL

A Psicologia educacional é aplicada, essencialmente, em três tipos de situações envolvendo:

Alunos – o psicólogo procura promover o seu desenvolvimento e maturação psi­cológicos e intervir nas dificuldades de natureza intelectual e emocional que perturbam a sua aprendizagem e a integração escolar.

 Professores – O psicólogo da educação apoia os educadores em questões psicopedagógicas como, por exemplo, a escolha dos métodos de ensino, a elabo­ração de programas e materiais adequados ao perfil dos alunos, questões de indisciplina, etc.

 Outros intervenientes na acção educativa – o psicólogo procura ajudar todos os intervenientes na educação melhorando a comunicação, facilitando as rela­ções pessoais, melhorando a comunicação família/escola, encontrando as fun­ções educativas mais adequadas às características dos funcionários, etc.

Para além destas actividades de apoio aos educadores e alunos, o psicólogo escolar também desenvolve e realiza a orientação escolar e profissional dos alu­nos, identificando as características de personalidade e competências que tornam os alunos mais aptos a frequentar uma certa área de estudos e para optar por uma determinada carreira profissional.

Os locais de intervenção do psicólogo educacional são os jardins-de-infância, escolas e outras instituições de ensino e, ainda, as instituições de educação especial, o Ministério da Educação e as autarquias.

Os psicólogos escolares também participam em parcerias entre instituições, como: os territórios educativos (áreas pedagógicas de intervenção prioritária devido a problemas socioeconómicos), as equipas de educação especial, o SOS Criança, etc. Também podem exercer as suas funções em consultórios de orienta­ção escolar e profissional.

 
 

 

 

 

Psicologia do trabalho e das organizações

 

 

Como melhorar a relação de cada indivíduo com o seu traba­lho e com a organização onde exerce a sua profissão?

Como optimizar as relações de trabalho, resolvendo conflitos existentes entre os recursos humanos?

Como adaptar as pessoas às novas tecnologias e às novas necessidades que o mundo do trabalho actualmente exige?

Como melhorar a produtividade de uma empresa, aumentando a satisfação individual?

O psicólogo organizacional trata destas e de muitas outras ques­tões que se prendem com a vida das organizações, com o traba­lho que nelas se produz e com as relações humanas que se estabelecem entre as pessoas

que nelas trabalham. As suas funções são exercidas em organizações estatais, privadas ou militares, sejam empresas, autarquias, escolas, hospitais, estabeleci­mentos prisionais ou outros. A sua intervenção procura aumentar a produtividade

Podemos, então, dizer que o psicólogo organizacional actua, fundamentalmente, em três áreas:

Área do trabalho – organização do trabalho, segurança, saúde, interacção indi­víduo/máquina;

Área da organização – relações interpessoais, gestão de conflitos, motivação, negociação;

Área do pessoal – selecção de pessoal, formação, desenvolvimento de carrei­ras, promoções.

Psicologia Clínica

O psicólogo clínico aplica os seus conhecimentos para diagnosticar

Perturbações, dificuldades e problemas, realizando uma interacção psicólogo/ paciente num esforço de análise e compreensão dos comportamentos. Desenvolve psicoterapias individuais e de grupo de modo a facilitar os processos de mudança necessários para ultrapassar as perturbações, dificuldades e problemas que impedem uma integração social adequada.

~ por Cátia em Fevereiro 10, 2010.

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