As crianças selvagens

AS CRIANÇAS SELVAGENS

Será preciso admitir que os homens não são homens fora do ambiente social, visto que aquilo que consideramos ser próprio deles, como o riso ou o sorriso, jamais ilumina o rosto das crianças isoladas.”

Lucien Malson, “Les Enfants Sauvages”

As crianças selvagens são crianças que cresceram com contacto humano mínimo, ou mesmo nenhum. Podem ter sido criadas por animais (frequentemente lobos) ou, de alguma maneira, terem sobrevivido sozinhas. Normalmente, são perdidas, roubadas ou abandonadas na infância e, depois, anos mais tarde, descobertas, capturadas e recolhidas  entre os humanos.
Os casos que se conhecem de crianças selvagens revestem-se de grande interesse. Elas ensinam-nos o que seríamos sem os outros.

Em termos de linguagem, as crianças selvagens só conhecem a mímica e os sons animais. A sua capacidade para aprender uma língua no seu regresso à sociedade humana é muito variada. Algumas nunca aprendem a falar, outras aprendem algumas palavras, outras ainda aprenderam a falar correctamente o que provavelmente indica que tenham aprendido a falar antes do isolamento.

Não gostam, em geral, de usar roupa e alimentam-se, bebem e comem tal como um animal o faria. A maioria das crianças selvagens não gosta da companhia humana. Algumas crianças selvagens não mostram interesse algum noutras crianças da sua idade nem nos jogos que estas jogam. Procuram a companhia dos animais.

As crianças selvagens não se riem ou choram, apesar de poderem desenvolver alguma ligação afectiva. Muitas vezes, têm ataques de raiva podendo então exibir uma força particular e um comportamento selvagem. Algumas crianças têm ataques de ferocidade ocasionais, mordendo ou arranhando outros ou até eles mesmo.

Até hoje foram encontradas diversas crianças selvagens, na  maioria criadas por lobos mas também por muitos outros animais. Por exemplo, as irmãs Amala e Kamala de Midnapore, Isabel, a menina que vivia no galinheiro ou Gaspard Hauser de Nuremberga. O caso mais célebre é o de Victor de Aveyron com base no qual François Truffaut realizou um belíssimo filme.

~ por Cátia em Fevereiro 12, 2010.

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